
Regressei de onde sempre estive.
Para além do teor formal das comunicações dos especialistas e das visitas especializadas, o encontro dos afectos e das sensibilidades: de portugueses, espanhóis e marroquinos; de muçulmanos, cristãos, judeus ou sem religião; dos que se expressavam em português, em castelhano, em francês, em árabe, em hebraico, em dialectos berberes ou judeo-marroquinos.
No meio de tanta diferenciação, o seio de uma civilização comum, a vontade e a urgência de um diálogo sobre o que nos identifica e que se manifestou na amizade que soubemos construir. (Local & Blogal) © António Baeta Oliveira
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“A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos.” (George Bernard Shaw)
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As mãos
"Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas
mas de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade."
Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967
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